quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

São Longuinho, São Longuinho

Comprei três imagens de São Longuinho. Aquele que, segundo as crendices, a gente dá três pulinhos e em troca ele nos ajuda a encontrar as coisas perdidas. O primeiro, não tive dúvidas: dei a minha mãe que sempre foi super desorganizada e depois sobrava pro pobre do santo. O segundo dei à minha queridíssima, porém louquíssima amiga e companheira de ideologia Lídia Santos. Ela adorou... mas não é que conseguiu perder o São Longuinho? É... isso realmente foi cômico. Mais uma impagável da contadora de histórias. No final das contas lá estava ela: 'São Longuinho, São Longuinho... se eu te achar dou três pulinhos". E não é que ele apareceu?!

O terceiro ficou guardado tanto tempo comigo que já nem tinha mais certeza por que tinha comprado, afinal, não sou dessas pessoas que compram presentes pra ficar guardados à espera de um contemplado, mas deixa isso pra lá - isso é assunto pra outro dia. O fato é que acabei tomando pra mim mesma, tirei o coitadinho da caixa depois de meses e pus bem no alto da minha estante de livros. Só agora, em meio a caixas e mais caixas de mudança percebo que não fora uma boa escolha deixá-lo comigo pois não costumo perder nenhum objeto. O santinho só serveria pra mim se atendesse a outro tipo de perdas.
São Longuinho, São Longuinho - eu diria - se eu achar na minha cabeça um tiquinho de juízo convencional eu te dou três pulinhos. São Longuinho, São Longuinho: se eu encontrar de novo um grande estímulo pro meu pulsar dou três pulinhos e três gritinhos - esses últimos eu creio que são uma invenção pros pedidos contemporâneos sempre mais avançados.Não, não sei... desviar o santo de função já é pedir um pouco demais. Em meio a caixas e mais caixas, malas e mais malas, não é o santinho que vai me ajudar a encontrar o que procuro.

 Inúmeras foram as vezes que me peguei olhando pro alto esperando não a resposta, mas qual pergunta devo fazer. Eu simplesmente não sei! Em meio a tantas expectativas de um ano novo, eu não pretendia me apegar ao que perdi, mas como tudo tem seu lado bom, gostaria de citar algumas coisas. Coisas boas de serem perdidas. Perdi todos os meus relógios, mas não cheguei atrasada nas minhas aulas preferidas. Perdi todos os meus cds, mas não perdi o meu bom gosto musical. Perdi a hora de almoçar diversas vezes por culpa do trânsito, mas a impaciência que isso gerou não me fez perder a fome. Perdi arquivos, mas não vou perder as lembranças ou as ideias, isso não pode ser corrompido. Perdi, e essa foi a maior perda, os ouvidos mais acostumados com minha voz e o alívio e mistério de meus silêncios. O que houve de bom nisso? Não sei... ainda estou tentando encontrar. Quer saber São Longuinho, São Longuinho?! ... eu vou te dar de presente. Porque a maior graça de tudo não é apenas encontrar, mas saber o que estou procurando.


                                                                                                                                                                                                                                                                  Rê ઇઉ

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